Se você costuma deixar a decisão sobre o regime tributário apenas para o começo do ano, é melhor repensar isso, antes que seja tarde.
Muitos empresários fecham dezembro e só então olham números com calma em janeiro. Esse receio é compreensível. Uma escolha errada pode significar um ano inteiro pagando mais imposto do que o necessário.
Porém, com a chegada da Reforma Tributária, alguns prazos foram prorrogados, e outros foram adiantados. Um dos prazos que mudou é o da opção pelo Simples Nacional.
Neste artigo, você vai entender como funcionará a escolha tributária em 2027, quais pontos analisar antes de trocar de regime, e quais erros mais pesam no bolso de quem faz essa mudança sem planejamento.
Ainda dá para mudar de regime tributário em janeiro?
Depende do regime que você tem em mente. Durante muitos anos, janeiro foi o mês oficial para entrar no Simples Nacional. Para 2027, porém, o governo antecipou a opção por causa da Reforma Tributária: as empresas já abertas precisaram fazer a opção pelo Simples em setembro de 2026.
Isso não significa que janeiro perdeu a importância. A escolha entre Lucro Presumido e Lucro Real continua acontecendo no início do ano, o MEI segue com sua janela em janeiro e ainda existem prazos e ajuste para quem já está no Simples.
E para novas empresas, as regras continuam as mesmas, pois podem optar qualquer regime, incluindo o Simples, assim que abrem.
Para facilitar, reunimos o calendário das principais decisões:
| Decisão | Prazo | Quando passa a valer |
|---|---|---|
| Entrar no Simples Nacional (empresa já aberta) | Setembro de 2026 (encerrado) | 1º de janeiro de 2027 |
| Simples híbrido: recolher IBS e CBS fora do DAS (1º semestre) | Até 30 de outubro de 2026 | Janeiro a junho de 2027 |
| Cancelar a opção pelo Simples ou pelo regime híbrido | Novembro e dezembro de 2026 | Mantém a situação anterior em 2027 |
| Sair do Simples Nacional por opção | Até 31 de dezembro de 2026 | 1º de janeiro de 2027 |
| Lucro Presumido ou Lucro Real | Pagamento da primeira quota do IRPJ de 2027 | Todo o ano de 2027 |
| MEI (Simei) | Janeiro de 2027, até 29/01 | Todo o ano de 2027 |
| Simples híbrido (2º semestre) | 1º a 31 de março de 2027 | Julho a dezembro de 2027 |
Ou seja, se a sua dúvida é entre Presumido e Real, janeiro continua senod o momento certo para planejar. Se a ideia era entrar no Simples em 2027, essa janela passou, e vale conversar com o contador sobre as possíveis alternativas.

Por que 2027 é um ano decisivo para mudar de regime tributário?
Rever o regime todo ano já é uma boa prática. Em 2027, porém, existe um motivo extra: é o ano em que a Reforma Tributária começa a pesar de verdade no caixa das empresas.
A CBS substitui o PIS e a Cofins
A partir de 1º de janeiro de 2027, o PIS e a Cofins deixam de existir e dão lugar à CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços, cobrada em alíquota cheia. O IBS, que vai substituir o ICMS e o ISS, segue em 2027 com alíquota simbólica de 0,1%.
Para quem está no Lucro Presumido, a mudança é grande. Até 2026, o PIS e a Cofins eram cobrados de forma cumulativa, com alíquota baixa e sem direito a crédito. Com a CBS, a lógica passa a ser de débito e crédito para todas as empresas fora do Simples.
O crédito tributário passa a pesar na escolha
Com o novo modelo, o imposto pago nas compras da empresa pode ser abatido do imposto devido nas vendas. Na prática, isso significa que dois fatores ganham muito peso na decisão de mudar de regime tributário: quanto a sua empresa compra com direito a crédito e se os seus clientes precisam do crédito que você gera para eles.
Se você quer entender esse impacto em detalhes, vale ler também o nosso conteúdo sobre o crédito tributário da Reforma Tributária no Lucro Real e no Lucro Presumido.
Quais são e quando mudar de regime tributário compensa?
Antes de pensar em trocar, é importante enxergar com clareza as opções disponíveis. Em 2027, o empresário passa a ter cinco caminhos possíveis, cada um com regras próprias:
| Regime | Limite de faturamento anual | Como o imposto é calculado | Crédito de IBS e CBS para o cliente | Perfil que costuma se beneficiar |
|---|---|---|---|---|
| MEI | Até R$ 81 mil | Valor fixo mensal (DAS-MEI) | Muito limitado | Autônomos e pequenos negócios com atividade permitida ao MEI |
| Simples Nacional tradicional | Até R$ 4,8 milhões | Alíquota única sobre o faturamento, conforme o anexo | Limitado ao valor pago dentro do DAS | Empresas que vendem principalmente para o consumidor final |
| Simples híbrido | Até R$ 4,8 milhões | IRPJ, CSLL e CPP no DAS; IBS e CBS pelo regime regular | Integral | Empresas do Simples que vendem para outras empresas |
| Lucro Presumido | Até R$ 78 milhões | IRPJ e CSLL sobre margem presumida; IBS e CBS com débito e crédito | Integral | Empresas com margem real acima da margem presumida |
| Lucro Real | Sem limite (obrigatório acima de R$ 78 milhões e para algumas atividades) | IRPJ e CSLL sobre o lucro efetivo; IBS e CBS com débito e crédito | Integral | Empresas com margem apertada, prejuízo ou muitos custos com crédito |
Se você ainda está avaliando o porte ideal do seu negócio, os artigos MEI ou ME: qual a diferença? e Qual o Melhor Tipo de Empresa para Abrir? podem ajudar a complementar essa análise.
CHECKLIST: O que avaliar antes de mudar de regime tributário
Agora chegamos à parte mais importante. Antes de bater o martelo, passe por cada um destes pontos com calma:
1. Faturamento dos últimos 12 meses e projeção para 2027
Olhe para o que a empresa faturou e para o que você espera faturar no próximo ano. Ultrapassar os limites de cada regime pode te forçar a mudar de regime tributário no meio do caminho. Para quem é MEI e está crescendo, vale ler sobre o desenquadramento do MEI.
2. Margem de lucro real comparada à margem presumida
No Lucro Presumido, a Receita considera que a sua empresa lucra um percentual fixo do faturamento. Se o seu lucro de verdade é menor que esse percentual, o Lucro Real pode sair mais barato.
3. Peso da folha de pagamento
No Simples, empresas de serviços com folha igual ou superior a 28% do faturamento podem ser tributadas pelo Anexo III, mais vantajoso que o Anexo V. É o chamado Fator R, e ele pode mudar completamente a comparação entre os regimes.
4. Perfil dos seus clientes
Você vende para consumidor final ou para outras empresas? Clientes empresariais tendem a preferir fornecedores que geram crédito integral de IBS e CBS, e isso pode pesar na hora de fechar negócio.
5. Créditos possíveis com fornecedores
Fora do Simples, tudo o que você compra com IBS e CBS destacados pode virar crédito. Quanto mais compras com direito a crédito, mais interessante se torna o regime regular.
6. Pendências fiscais e cadastrais
Débitos em aberto e problemas no cadastro podem impedir a entrada em alguns regimes ou gerar exclusões. Regularize tudo antes de qualquer mudança.
7. Atividade e CNAE
Algumas atividades não podem ser exercidas no Simples ou no MEI, e outras são obrigadas ao Lucro Real. Confira se o seu CNAE permite mudar de regime tributário que você está considerando.
8. Fluxo de caixa e split payment
Com o split payment, parte do imposto passa a ser separada no momento do pagamento da venda. Isso altera o dinheiro que entra no caixa e precisa estar no seu planejamento financeiro.
9. Sistemas e emissão de notas
O novo modelo exige notas fiscais com os campos de IBS e CBS e uma apuração mais detalhada. Verifique se o seu sistema está preparado para mudar de regime tributário.
10. Simulação comparativa como contador
Por fim, nenhum checklist substitui os números. Peça ao seu contador uma simulação com faturamento, folha e despesas reais, comparando todos os regimes possíveis para a sua empresa.
Como fazer mudar de regime tributário na prática?
Depois de decidir, é hora de colocar a escolha em prática. O caminho muda conforme o regime.
Do Lucro Presumido para o Lucro Real (ou o contrário)
Essa escolha é feita de um jeito que surpreende muita gente: com o pagamento do primeiro IRPJ do ano. A opção fica registrada no DARF da primeira quota do imposto, e vale para o ano inteiro, sem possibilidade de arrependimento.
No Lucro Presumido, por exemplo, o primeiro pagamento costuma acontecer em abril, referente ao primeiro trimestre. Por isso, o planejamento precisa estar pronto bem antes, de preferência em janeiro, para que a empresa já organize a contabilidade e os controles do regime escolhido desde o início do ano.
Como sair do Simples Nacional ou desistir da opção
Se a sua empresa está no Simples e a análise mostrou que outro regime tributário compensa mais, a saída por opção pode ser solicitada no Portal do Simples Nacional até o último dia de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
E se você fez a opção pelo Simples ou pelo regime híbrido em setembro e mudou de ideia, ainda existe um prazo para cancelar o pedido no fim de 2026. Vale lembrar que esse cancelamento é definitivo.
E o MEI, ainda faz a opção em janeiro?
Sim. Para o MEI, nada mudou no calendário: a opção pelo Simei continua sendo feita em janeiro, com prazo até 29 de janeiro de 2027. O MEI também não tem a possibilidade de recolher IBS e CBS pelo regime regular.
Simples híbrido: a nova janela de março
Se a sua empresa ficou no Simples tradicional para o primeiro semestre de 2027, ainda terá outra chance. Entre 1º e 31 de março de 2027, será possível optar por recolher IBS e CBS fora do DAS, com efeitos de julho a dezembro.
Erros comuns ao mudar de regime tributário
Mesmo com boa intenção, alguns deslizes se repetem bastante. Veja os principais:
- Decidir só pela alíquota
Comparar apenas os percentuais deixa de fora créditos, folha, margem real e o perfil dos clientes, que muitas vezes fazem mais diferença que a alíquota em si. - Perder o prazo achando que ainda é janeiro
Quem esperou janeiro de 2027 para entrar no Simples descobriu que a janela já tinha fechado. Mantenha o calendário atualizado com o seu contador. - Ignorar o crédito que o cliente precisa
Se você vende para empresas, um regime que gera pouco crédito pode tornar o seu preço menos competitivo, mesmo que o imposto pago por você seja menor. - Deixar pendências para a última hora
Débitos e problemas cadastrais podem travar a mudança justamente quando o prazo está acabando. - Não simular cenários
Escolher pela intuição ou pela experiência de outro empresário raramente funciona. Cada negócio tem números próprios. - Acreditar que dá para voltar atrás no meio do ano
Na maioria dos casos, a escolha vale para o ano inteiro. Um erro em janeiro pode custar caro até dezembro.
Como a Euro Contábil pode ajudar na sua decisão?
Mudar de regime tributário pode ser uma ótima forma de pagar menos impostos, desde que a decisão seja tomada com números reais, prazos em dia e um olhar atento às mudanças da Reforma Tributária. Revisar faturamento, margem, folha, clientes e créditos é o que separa uma economia de verdade de uma surpresa desagradável no meio do ano.
Na Euro Contábil, acompanhamos empresas de todos os portes há 20 anos. São mais de 780 clientes atendidos em todo o Brasil, com uma equipe que acompanha de perto cada etapa da transição para o novo sistema tributário.
Se você quer começar 2027 com o regime certo para o seu negócio, fale com o nosso time e peça uma simulação comparativa. Vamos analisar os seus números e mostrar, com clareza, qual caminho faz mais sentido para a sua empresa.

Posso mudar de regime tributário no meio do ano?
Em regra, não. A escolha entre Lucro Presumido e Lucro Real vale para todo o ano-calendário, e a opção pelo Simples também. As exceções envolvem situações como excesso de faturamento ou atividade impedida, além da janela de março para o Simples híbrido, que permite recolher IBS e CBS fora do DAS no segundo semestre.
Perdi o prazo do Simples Nacional para 2027. E agora?
A empresa permanece no regime atual durante 2027. A próxima oportunidade de entrar no Simples será em setembro de 2027, com efeitos para 2028. Enquanto isso, vale fazer uma simulação entre Lucro Presumido e Lucro Real para garantir a melhor escolha possível neste ano.
Como sei se o Lucro Real compensa mais que o Presumido em 2027?
O Lucro Real tende a compensar quando a margem de lucro efetiva é menor que a margem presumida pela Receita ou quando a empresa tem muitos custos com direito a crédito. A única forma segura de saber é comparar os dois cenários com os números reais da empresa.
O MEI também mudou o prazo de opção?
Não. A opção pelo Simei continua acontecendo em janeiro, com prazo até 29 de janeiro de 2027. O MEI também não pode optar pelo recolhimento de IBS e CBS pelo regime regular.
Vale a pena optar pelo Simples híbrido?
Costuma valer para empresas do Simples que vendem para outras empresas, porque o regime híbrido gera crédito integral de IBS e CBS para o cliente. Para quem vende principalmente ao consumidor final, o Simples tradicional tende a ser mais simples e vantajoso.
Quanto tempo leva para fazer a simulação de regime com o contador?
Depende da organização dos dados da empresa. Com faturamento, folha de pagamento e despesas em dia, a simulação costuma ser rápida. Por isso, o ideal é reunir essas informações ainda em dezembro.


