Conteúdo feito por humano

Reforma Tributária vai aumentar seus impostos? Descubra o impacto real para sua empresa

Navegação

Se você é empresário ou empreendedor, provavelmente já ouviu que a Reforma Tributária vai simplificar o sistema de impostos no Brasil. E é verdade — o novo modelo é mais lógico, mais moderno e menos burocrático do que o atual. Mas simplificar não significa necessariamente pagar menos. Para muitas empresas, a transição pode representar um aumento real na carga tributária, dependendo do setor, do regime e do modelo de negócio.

A questão que ninguém responde de forma direta é justamente a que mais interessa: a minha empresa vai pagar mais ou menos imposto com o novo sistema?

Neste artigo, você vai encontrar essa resposta — ou pelo menos a mais honesta possível, considerando que parte das alíquotas ainda está sendo definida pelo Senado. Vamos explicar como o IBS e a CBS funcionam na prática, quais setores e regimes saem ganhando, quais precisam ficar em alerta e, principalmente, o que você pode fazer agora para não ser pego de surpresa quando as mudanças começarem a valer de verdade.

Sem enrolação. Direto ao ponto.

O que realmente muda com a Reforma Tributária

Se você já tentou entender o sistema tributário brasileiro, sabe que ele é um dos mais complexos do mundo. Uma empresa que vende para outro estado precisa calcular ICMS de forma diferente para cada unidade federativa. Uma prestadora de serviços paga ISS para o município, PIS e COFINS para o federal — com regras distintas para cada um.

E no meio disso tudo, os impostos se acumulam ao longo da cadeia produtiva, fazendo com que o consumidor final pague imposto sobre imposto. Esse é o chamado efeito cascata — e foi exatamente para acabar com ele que a Reforma Tributária foi criada.

A lógica do IVA Dual

A solução adotada pelo Brasil segue um modelo usado em mais de 160 países: o IVA — Imposto sobre Valor Agregado. A ideia central é simples: cada empresa paga imposto apenas sobre o valor que ela agrega ao produto ou serviço, e pode descontar o imposto que já foi pago nas etapas anteriores da cadeia. Sem acúmulo. Sem cascata.No Brasil, esse IVA foi dividido em dois tributos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): administrada pelo governo federal, substitui o PIS e o COFINS
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): administrado por estados e municípios em conjunto, substitui o ICMS e o ISS

Além desses dois, existe o Imposto Seletivo (IS) — apelidado de “imposto do pecado” — que incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes. Falaremos dele mais adiante.

O que não muda

Antes de qualquer preocupação, um ponto importante: o Simples Nacional e o MEI não acabam. Esses regimes foram preservados pela reforma e seguem funcionando normalmente. O IRPF (imposto de renda da pessoa física) também não é afetado. A reforma mexe, essencialmente, com os tributos sobre consumo — o que você paga quando vende um produto ou presta um serviço.

O cronograma resumido

A transição é gradual e se estende até 2033. No essencial:

Ano O que acontece
2026 Fase de testes: IBS e CBS entram com alíquotas simbólicas (0,1% e 0,9%). Sem impacto financeiro real. MEIs estão isentos.
2027 PIS e COFINS são extintos. CBS começa a valer de verdade.
2029-2032 IBS aumenta progressivamente. ICMS e ISS diminuem na mesma proporção.
2033 Sistema novo funciona integralmente. ICMS e ISS deixam de existir..

O ponto mais importante aqui: 2027 é o ano em que as mudanças começam a ter impacto financeiro real para a maioria das empresas. Você ainda tem tempo para se preparar — mas esse tempo passa rápido.

Qual é a alíquota do IBS e da CBS?

Essa é a pergunta que todo empresário faz — e a resposta honesta é: ainda não foi definida oficialmente.

A alíquota final do IBS será votada pelo Senado Federal com base em uma resolução do Comitê Gestor, que ainda está em processo de regulamentação. O que existe hoje são estimativas e projeções técnicas.

O que os estudos apontam

As estimativas mais recentes indicam uma alíquota combinada de IBS + CBS entre 26% e 28% sobre o valor dos bens e serviços. Esse número assusta à primeira vista — mas precisa ser lido com cuidado.

Diferente do sistema atual, onde os tributos se acumulam e incidem uns sobre os outros, o novo modelo é aplicado apenas sobre o valor agregado em cada etapa. Na prática, para muitas empresas, a carga efetiva pode ser igual ou até menor do que a de hoje — dependendo de quanto crédito tributário elas conseguirem aproveitar ao longo da cadeia.

Alíquotas reduzidas e isenções

Nem todo mundo vai pagar a alíquota cheia. A LC 214/2025 já prevê:

  • Alíquota zero para itens da cesta básica nacional
  • Redução de 60% para saúde, educação, medicamentos e transporte público
  • Redução de 30% para outros segmentos específicos
  • Regimes diferenciados para construção civil, agronegócio e combustíveis

Ou seja, o impacto real depende muito de onde a sua empresa está posicionada.

Empresas do Simples Nacional: vai mudar a conta?

Para quem está no Simples Nacional, a resposta imediata é tranquilizadora: em 2026, nada muda na prática. O DAS continua igual, as alíquotas seguem as mesmas e nenhuma adaptação financeira é exigida.

Mas a partir de 2027, algumas novidades chegam — e vale entendê-las agora.

O Simples Híbrido

A reforma criou uma opção chamada Simples Híbrido, disponível a partir de 2027. Nesse modelo, a empresa pode recolher o IBS e a CBS pelo regime regular — fora do Simples — enquanto os demais tributos continuam no DAS normalmente.

Por que isso pode ser vantajoso? Porque ao recolher IBS e CBS pelo regime geral, a empresa gera crédito tributário para o comprador. Para quem vende principalmente para outras empresas (B2B), isso pode ser um diferencial competitivo importante — o seu cliente vai preferir comprar de quem gera crédito.

Para quem vende ao consumidor final (B2C)

Se o seu cliente é pessoa física, a história muda. O consumidor final não aproveita crédito tributário, então o Simples Híbrido perde boa parte do seu apelo. Nesses casos, continuar 100% no Simples tende a ser mais vantajoso — menor burocracia e carga tributária mais previsível.

Nanoempreendedor: a nova categoria

A reforma também criou uma categoria chamada Nanoempreendedor, voltada para quem fatura até R$ 40.500 por ano. Esse perfil terá isenção total de IBS e CBS, mesmo fora do regime MEI. É uma proteção para o microempreendedorismo de menor porte.

Se você está no Simples e vende para empresas, peça uma simulação ao seu contador comparando o Simples puro com o modelo híbrido. Essa decisão pode impactar diretamente sua competitividade a partir de 2027.

Empresas do Lucro Presumido: atenção redobrada

O Lucro Presumido é hoje o regime mais utilizado por empresas de médio porte no Brasil — e é também o perfil que exige mais atenção com a chegada da reforma.

Como funciona hoje

No Lucro Presumido, o governo presume uma margem de lucro fixa e cobra IRPJ e CSLL sobre ela. O PIS e o COFINS são recolhidos pelo regime cumulativo, com alíquotas menores (0,65% e 3%) mas sem possibilidade de descontar créditos.

O que muda com o IBS e a CBS

A partir de 2027, o PIS e o COFINS são extintos e substituídos pela CBS — que, para empresas fora do Simples, funciona no regime não-cumulativo. Isso significa alíquotas maiores, mas com possibilidade de crédito.

Para empresas que compram muitos insumos ou contratam muitos serviços, essa mudança pode ser neutra ou até positiva. Mas para prestadoras de serviços com poucos custos intermediários — como consultorias, escritórios e agências — a carga tributária efetiva tende a aumentar.

Setores em alerta

Serviços intelectuais e de alto valor agregado, que hoje pagam ISS com alíquota de 2% a 5%, podem sentir o impacto da alíquota cheia do IBS, dependendo do enquadramento final. É um dos pontos mais sensíveis da reforma para esse regime.

Setores que podem sair ganhando

Empresas do Lucro Presumido que atuam em saúde, educação, construção civil popular ou alimentação podem se beneficiar das alíquotas reduzidas previstas na LC 214/2025, saindo em situação melhor do que a atual.

2027 é o ano-chave para rever o planejamento tributário de quem está no Lucro Presumido. Não espere a mudança chegar para agir.

Empresas do Lucro Real: oportunidade ou risco?

Para empresas no Lucro Real, a reforma traz uma novidade que pode ser bastante positiva: a não-cumulatividade plena do IBS e da CBS.

O novo sistema de créditos

No modelo atual, os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo são restritos a uma lista específica de insumos e despesas. Com o IBS e a CBS, a proposta é que qualquer aquisição de bens e serviços usada na atividade da empresa gere crédito — de forma muito mais ampla do que hoje.

Na prática, isso significa que empresas com cadeias de fornecimento longas, que compram muito insumo ou contratam muitos serviços, podem ter uma carga efetiva menor do que a atual.

Quais despesas vão gerar crédito

De acordo com a LC 214/2025, geram crédito de IBS e CBS, entre outros:

  • Compra de mercadorias e matérias-primas
  • Contratação de serviços de terceiros
  • Aquisição de ativos imobilizados usados na operação
  • Despesas com energia elétrica e telecomunicações vinculadas à atividade

Empresas exportadoras

Um ponto especialmente favorável: a reforma mantém a desoneração das exportações. Empresas que exportam bens ou serviços não pagarão IBS nem CBS sobre essas operações — e poderão recuperar os créditos acumulados ao longo da cadeia produtiva.

Setores com alíquota reduzida: quem paga menos?

A reforma não trata todos os setores da mesma forma. A LC 214/2025 criou uma lista de segmentos com tratamento tributário diferenciado — e se o seu negócio está em um deles, as perspectivas são positivas.

Cesta básica nacional

Itens da cesta básica nacional terão alíquota zero de IBS e CBS. Isso inclui alimentos como arroz, feijão, carnes, leite, ovos e outros produtos essenciais. Para o consumidor, significa preço menor. Para o produtor e o varejista desses produtos, significa ausência de tributo na ponta — mas também ausência de crédito a gerar.

Saúde e educação

Planos de saúde, serviços médicos, hospitais, clínicas, escolas e universidades terão redução de 60% na alíquota padrão. É um dos maiores benefícios setoriais da reforma e representa um alívio significativo para empresas desse segmento que hoje pagam ISS cheio.

Construção civil e habitação popular

Incorporadoras e construtoras que atuam com habitação de interesse social terão alíquotas reduzidas e poderão manter o RET (Regime Especial de Tributação) com condições favoráveis. Para obras fora do segmento popular, o impacto ainda depende das regulamentações do Comitê Gestor.

Agronegócio

O setor agrícola tem regras específicas dentro da reforma, com tratamento diferenciado para produtores rurais pessoas físicas e para cooperativas. A cadeia do agro, de forma geral, foi protegida de aumentos abruptos de carga durante a transição.

Transporte público

Serviços de transporte público coletivo de passageiros terão isenção total de IBS e CBS — uma medida voltada para manter as tarifas sob controle e não encarecer a mobilidade urbana.

Setores que podem pagar mais: o Imposto Seletivo

Se alguns setores saem ganhando, outros vão sentir um peso a mais. O Imposto Seletivo (IS) — também chamado de “imposto do pecado” — foi criado para onerar produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Quem está na mira do Imposto Seletivo

  • Cigarros e produtos derivados do tabaco
  • Bebidas alcoólicas
  • Bebidas açucaradas e refrigerantes
  • Veículos automotores com alto índice de poluição
  • Minérios e outros produtos com impacto ambiental relevante

Para empresas desses segmentos, o IS se soma ao IBS e à CBS — o que pode representar uma carga tributária consideravelmente mais alta do que a atual.

Impacto no consumidor e na precificação

O aumento de custo tributário nesses setores tende a ser repassado ao preço final. Para as empresas, isso exige uma revisão cuidadosa da precificação e da margem — especialmente para produtos que já competem em mercados sensíveis ao preço.

Se sua empresa atua em algum desses segmentos, a conversa com seu contador sobre o impacto do Imposto Seletivo precisa acontecer agora, não em 2027.

O que sua empresa precisa fazer agora

A reforma é gradual, mas o planejamento precisa ser imediato. Quem se antecipar vai ter mais tempo para ajustar estratégias, renegociar contratos e tomar decisões com calma. Quem esperar vai precisar correr.

Revise seu regime tributário antes de 2027

Essa é a ação mais importante. O regime tributário que funciona bem para você hoje pode não ser o mais vantajoso após a extinção do PIS e do COFINS e a entrada plena do IBS e da CBS. Peça ao seu contador uma simulação comparando a carga atual com a projetada para 2027 em diante.

Se você está no Simples, avalie o modelo híbrido

Se boa parte do seu faturamento vem de vendas para outras empresas, o Simples Híbrido pode aumentar sua competitividade a partir de 2027. Mas essa decisão precisa de análise — não é vantajoso para todo mundo.

Atualize seu sistema de emissão de notas

Desde janeiro de 2026, as notas fiscais eletrônicas já têm campos para IBS e CBS. Se você está no regime geral, seu sistema precisa estar atualizado agora. Se está no Simples ou é MEI, a obrigatoriedade chega em 2027 — mas vale se adiantar para evitar correrias.

Acompanhe as regulamentações do Comitê Gestor

Muitos detalhes do IBS ainda estão sendo definidos. O Comitê Gestor — órgão responsável por administrar o IBS em conjunto entre estados e municípios — ainda está publicando normas que vão impactar diretamente setores específicos. Manter-se informado, ou ter um contador que faça isso por você, é essencial nesse momento.

Contabilidade em Londrina

A Reforma Tributária não é um bicho de sete cabeças — mas também não é algo para ignorar. O sistema novo é mais justo e mais lógico do que o atual. Mas justiça tributária não significa necessariamente que todos vão pagar menos. Depende de onde você está, do que você vende e de como você se prepara.

O melhor movimento agora é simples: entenda sua situação atual, projete os cenários e tome decisões com antecedência. Esse artigo te deu o mapa. O próximo passo é sentar com seu contador e traçar a rota.

Planejamento tributário e contabilidade completa, fale como contador

Solicite orçamento por WhatsApp

Migre sua Empresa para a Contabilidade Estratégica da Euro Contábil
Revisão tributária, assessoria contábil e consultoria estratégica.

Inicie a Abertura da sua Empresa hoje
Registro em Junta, obtenção de alvarás e licenças, com a maior rapidez.