"

Na atualidade, está cada vez mais rotineira a escrituração eletrônica dos fatos administrativos ocorridos no contexto da operacionalidade empresarial, sejam eles financeiros, fiscais ou contábeis, com a consequente agilização dos processos devido à integração das informações geradas pelos departamentos ou setores da empresa.

No decorrer do exercício social, os departamentos podem realizar centenas de registros, sujeitando-se à ocorrência de erros, os quais podem ser ocasionados por falhas na parametrização do sistema em uso ou, mesmo, pela ação das pessoas envolvidas com o processo, havendo ou não a intencionalidade.

Tais acontecimentos, se não forem detectados por uma eficiente conciliação contábil, gerarão lançamentos fictícios, os quais irão provocar reflexos nas demonstrações financeiras da empresa, fazendo com que estas não espelhem a real situação patrimonial do negócio.

É importante também observar o aspecto tributário, já que a base de cálculo dos principais impostos e contribuições ou ainda as obrigações acessórias são afetadas em algum grau pela integração dos dados com a contabilidade, ou seja, a não realização de uma rigorosa conciliação contábil pode acobertar registros errôneos, para dizer o mínimo.

A título de exemplo, considere uma situação na qual dada empresa realizou uma operação de venda de mercadorias, com o reconhecimento de uma receita, e que, por qualquer fator que o provocasse, incorre em sua devolução, sem que fosse gerado um registro “automático” entre os departamentos de venda e contábil, isto para fins didáticos.

Desta forma, na contabilidade, em outros termos, na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) teremos o reconhecimento de uma receita maior do que aquela realmente auferida, disto decorrendo que a tributação será maior do que a devida.

Embora os empreendimentos tenham como regra a adoção da conciliação das operações de seus departamentos ou setores, por exemplo, o departamento financeiro concilia o extrato bancário com o movimento apresentado pelos controles internos que elabora, a contabilidade, por sua vez, deveria verificar se os lançamentos gerados pela integração dos sistemas estão conformes.

Este processo, por si, demonstra que cabe ao departamento contábil realizar a “revisão” final, ou seja, uma conciliação dos trabalhos realizados nas etapas anteriores, podendo até assumir a condição de uma verdadeira auditoria interna.

O procedimento apontado, antes de caracterizar um tipo de retrabalho, como entenderiam alguns, de fato, funcionará como garantia de qualidade aos controles internos, "certificação" esta extremamente necessária, visto que a responsabilidade técnica pelos registros contábeis e pelas e pelas informações às fazendas, sejam municipal, estadual ou federal, são do(a) contador(a), cabendo a este(a) se assegurar de que as contas da empresa estão na mais completa ordem.

Voltar