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Atualmente com um mercado cada vez mais competitivo o profissional liberal deve encarar a sua atividade de forma cada vez mais ampla, ou seja, o mercado requer o aperfeiçoamento de modelos e sistemas de monitoramento das contas, com ênfase na gestão orçamentária.

Sendo assim, a confecção de um livro caixa, como mecanismo de controle gerencial e estratégico, é fundamental para que as atividades profissionais possam ser realizadas e direcionadas para a maximização de resultados, objetivo este que não é, em regra, atingido quando o foco do gestor recai somente sobre o equilíbrio financeiro, apesar de ser vital consegui-lo. Considerando as potencialidades, a partir de um “simples” livro caixa, por exemplo, é possível evoluir para processos mais sofisticados de análises, por meio do acompanhamento de indicadores de desempenho e de lucratividade, com o significado prático de que o negócio justificará a sua viabilidade se proporcionar o retorno em bases adequadas sobre o investimento.

Este tipo de controle, reconhecidamente muito útil para a organização da contabilidade pessoal, não tem que ser usado somente para gerenciamento das contas da pessoa física, visto que também poderá ser direcionado para a gestão tributária, em outros termos, sua elaboração facilitará expressivamente o preenchimento da declaração de imposto de renda da pessoa física, em especial, naqueles casos em que o contribuinte está sujeito ao “carnê leão”, cabendo o destaque de que tais dados são, de fato, indispensáveis para o adequado registro das informações requeridas pela Receita Federal.

Neste sentido, devo ressaltar que estão sujeitos ao carnê leão e, assim, ao recolhimento mensal do imposto de renda, as operações que compreendam os rendimentos auferidos por contribuintes residentes no Brasil de outra pessoa física ou do exterior, além dos emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos, dentre outros, independentemente de a fonte ser pessoa física ou jurídica, exceto quando forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos.

Para que o livro caixa se revista de legitimidade, isto no contexto tributário, o profissional deve relacionar mês a mês, paralelamente às receitas oriundas dos serviços prestados, o dinheiro gasto com a manutenção da sua atividade, ou seja, as despesas devem estar discriminadas e devidamente identificadas, com um grau de organização que torne possível a efetiva comprovação dos gastos quando necessário fazê-lo, devendo ainda ser caracterizadas como indispensáveis ao desenvolvimento da atividade do contribuinte.

Para fins didáticos, destaco que, dentre as despesas consideradas como dedutíveis para o imposto de renda, quando do registro no livro caixa, podem ser utilizados os gastos: com aluguel de sala comercial (o local em que as atividades são desenvolvidas), com água, luz e telefone, com materiais de expediente ou de consumo e, sem prejuízo de outras, com a contratação de pessoal.

O livro caixa, portanto, além de ser, no plano tributário, uma peça chave para o preenchimento da declaração de imposto de renda da pessoa física, é um mecanismo de controle imprescindível à gestão eficaz, na dimensão estratégica, em particular, naquela que visa proporcionar a mudança de foco do financeiro ao econômico, ou seja, em termos objetivos, é um caminho viável para que o interessado saiba o quanto entra (receita), o quanto sai (despesa), de onde vem (origens de recursos) e para onde vai (aplicações de recursos), de forma a contar com relativa segurança quando da identificação de seu lucro líquido – aquela parcela que nem sempre é obtida com exatidão no exame de um extrato bancário, por exemplo.

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